O Ibovespa subiu 8,3% em julho. O real se valorizou 2,3% frente ao dólar. Os títulos públicos fecharam — as taxas caíram, o que significa que os preços subiram. Na superfície, tudo parece bem. Mas os números escondem fragilidades.
A alta do Ibovespa foi concentrada em commodities e financeiro — dois setores que se beneficiam de condições específicas (dólar alto e Selic alta) que podem não persistir. O varejo e a construção civil, que dependem do consumo doméstico e do crédito, ficaram para trás.
A entrada de capital estrangeiro em renda fixa — atraída pelo diferencial de juros — valorizou o real. Isso é bom para a inflação (importações ficam mais baratas) e para quem viaja ao exterior. Mas é ruim para os exportadores, que recebem menos reais por cada dólar exportado.
O ponto crítico: esse fluxo de capital é sensível a mudanças no cenário externo. Se o Fed sinalizar alta de juros ou se o risco global aumentar, o capital sai rapidamente e o real volta a se depreciar. A valorização atual pode ser temporária.